O aumento das recuperações judiciais no Brasil trouxe um ponto importante para as áreas de crédito e cobrança: o risco nem sempre está restrito a um único CNPJ. Levantamento divulgado pela Serasa Experian indicou que os processos de recuperação judicial de 2025 envolveram mais empresas, com maior complexidade e concentração em grupos econômicos.
Para a indústria de bens de consumo, essa informação é decisiva. Muitas carteiras comerciais possuem exposição distribuída em diferentes CNPJ’s que, na prática, pertencem ao mesmo grupo, rede, operador ou estrutura econômica. Quando a análise é feita apenas de forma isolada, o risco real pode ficar subestimado.
Esse ponto é especialmente relevante na relação com o varejo. Um cliente pode apresentar bom histórico individual, mas estar conectado a empresas com atrasos, endividamento elevado ou disputas judiciais. A análise cadastral tradicional precisa evoluir para uma visão mais ampla de vínculo, concentração e exposição total.
A gestão de crédito deve responder perguntas objetivas: qual é a exposição consolidada da indústria a esse grupo? Existem CNPJ’s relacionados com comportamento financeiro distinto? Há concentração de limite em poucos compradores? O histórico positivo de uma unidade está compensando indevidamente o risco de outra?
Em um ambiente de maior complexidade financeira, analisar apenas o CNPJ pode ser pouco. A indústria precisa enxergar a carteira por relacionamento econômico, concentração e risco agregado.
🔗 Fontes: Serasa Experian; Forbes Brasil; Banco Central do Brasil.
