Crédito e Cobrança
Segundo semestre: o crédito precisa sair do piloto automático
06 de Julho de 2026

O início do segundo semestre exige uma mudança de postura das indústrias que vendem ao varejo. Depois de meses marcados por pressão sobre caixa, juros elevados, seletividade no consumo e aumento da complexidade na análise de clientes, entrar em julho com a mesma política de crédito do início do ano pode ser um erro caro.

O varejo não chega ao segundo semestre de forma homogênea. Há empresas com bom giro, mas margem pressionada; clientes que continuam comprando, mas alongam pagamentos; grupos que mantêm volume, mas aumentam renegociações; e operações que aparentam estabilidade, mas já demonstram sinais de fragilidade financeira.

Esse é o ponto central: o risco do segundo semestre não está apenas nos clientes inadimplentes. Está nos clientes que ainda compram, mas já mudaram comportamento.

Para a indústria, julho deveria ser tratado como mês de revisão estratégica. Não basta olhar faturamento acumulado. É preciso cruzar vendas, atraso médio, pedidos de exceção, exposição por cliente, concentração regional, frequência de compras e comportamento de pagamento.

A Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE mostrou, em abril de 2026, queda de 1,5% no volume do varejo frente ao mês anterior e recuo de 0,7% no varejo ampliado, reforçando que a leitura do consumo precisa ser feita com cautela e recorte por segmento.

Além disso, o ambiente de recuperações judiciais segue exigindo atenção. A Serasa Experian registrou 53 pedidos de recuperação judicial em janeiro de 2026, envolvendo 126 CNPJs, com presença relevante de comércio e indústria entre os setores afetados.

O segundo semestre não deve começar com uma pergunta comercial, mas com uma pergunta de risco: quais clientes ainda sustentam crescimento com capacidade real de pagamento?


Fontes: IBGE – Pesquisa Mensal de Comércio; Serasa Experian; Banco Central do Brasil.

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