Abordagem humanizada e boas práticas de comunicação devem ser prioridades junto às equipes
Com as novas tecnologias, as dinâmicas no setor de crédito e cobrança passam por transformações constantes. O cenário é de ampla oferta de ferramentas que surgem para tornar as análises mais ágeis e precisas. Por outro lado, a incorporação desses recursos digitais também traz desafios para a gestão de pessoas e de processos.
Isso porque, ainda que a automação ocorra aos poucos no setor em comparação com a aceleração em outros segmentos financeiros, há mudanças comportamentais provocadas pelos receios do que o novo pode representar para as carreiras e pelas diversas expectativas dos profissionais em relação ao futuro.
O chamado é para agregar valor às atividades que já saíram do campo operacional – este agora desempenhado pela tecnologia – por meio de análises de dados muito mais estratégicas para a tomada de decisão na concessão de crédito.
Com isso, as lideranças precisam garantir que as equipes estejam alinhadas, guiadas por uma mentalidade aberta à inovação e que tenham as habilidades necessárias para performar a partir dessa perspectiva.
De acordo com Marcos Piellusch, professor e coordenador do Labfin/Provar (resultado da fusão de dois centros da FIA Business School), o momento pede melhores práticas de liderança, com definição de metas e objetivos, mas, também, uma atenção especial às pessoas.
Transformação digital: olhar integrado é chave para os desafios
Os gaps na organização podem surgir quando não há um planejamento adequado e baseado em uma visão integrada e sistêmica para a transição que o cenário digital requer.
Nesse sentido, é necessário:
-Treinar das equipes
-Delimitar processos de forma clara
-Viabilizar a integração entre sistemas
-Estabelecer diretrizes para a segurança de dados
Confira 4 dicas do professor Marcos Piellusch!
1 – Aproveite as oportunidades que as tecnologias representam
Não são apenas as equipes que podem se sentir intimidadas diante da velocidade da inovação e suas consequentes transformações nos campos profissionais. Aqueles que atuam no quadro de liderança também enfrentam esse desafio.
Piellusch orienta que os gestores sejam:
-Receptivos às novas tecnologias
-Habilidosos para identificar vantagens a partir delas
-Flexíveis para mudanças cada vez mais frequentes
2 – Equilibre o uso da tecnologia com a abordagem humanizada
O fato de os processos se modificarem com mecanismos de automação e inteligência artificial não quer dizer que as relações interpessoais no ambiente corporativo devam perder espaço. Na verdade, é exatamente o contrário! O cenário pede humanização para que toda essa inovação flua e traga resultados efetivos. Portanto, é preciso exercer a gestão de equipes priorizando o cuidado e a empatia. Acolher pessoas é uma premissa da verdadeira inovação.
É com esse espírito que líderes devem delegar tarefas de acordo com as competências, manter uma agenda e feedback construtivo e fomentar a cultura de colaboração e compartilhamento de informações e conhecimento.
3 – Priorize a comunicação e a transparência
A objetividade é um ponto crucial no processo de digitalização do setor de crédito e cobrança. Sob essa perspectiva fica evidente que a humanização na gestão de pessoas não é sobre rodeios nas abordagens. Trata-se de ir direto ao ponto tendo o respeito como base. “É fundamental aprimorar a comunicação e prezar pela transparência entre as equipes, de forma a promover valorizar a cultura de inovação”, enfatiza o professor Piellusch.
4 – Nunca perca de vista a ética e as regulamentações
Embora as ferramentas tecnológicas venham para facilitar, otimizar e agilizar processos, elas também podem trazer mais questões éticas a serem gerenciadas no dia a dia das empresas.
A verdade é que a segurança de todo o trabalho desempenhado com o manejo de dados exige ainda mais atenção quanto às condutas éticas em atendimento à legislação e normativas do setor de crédito e cobrança.
Exemplos disso são a Lei Geral de Proteção de Dados, o Código Civil, o Código do Consumidor e o Marco Civil da Internet.
